|
| |
07/12/2008 01:20 Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais! 
Ir embora...
Três pontos, porque não é o fim.
O que eu vivi aqui nesses quatro anos ultrapassou o limite do eternizável.
Eu podia escrever um mega discurso digno de orador da turma, mas não dá.
É que todo discurso tem começo, meio e fim.
Tem uma linha de raciocínio, um sentido.
E o que eu estou sentindo não tem lógica.
Uma nostalgia incontrolável do passado, misturada com sonhos para o futuro e um desejo profundo de paralisar o presente pra viver só ele.
SAUDADE.Do que foi, do que já não é, da dor que já não me dói, da antiga e errônea fé, do ontem que a dor deixou, do que deixou alegria, só porque foi e voou, e hoje já é outro dia.
Uma fraqueza absurda pra começar a arrumar as malas e encaixotar os livros, recolher cada lembrança sutil e decidir o que vai comigo e o que fica. Alegria por poder levar comigo o que de melhor já se incorporou em mim (e não foi pouca coisa).
Medo. Medo da vida.
Coragem. Uma força interior suprema pra seguir e vencer.
Apego. Vontade de desapegar. Capacidade pra desapegar. Negação da capacidade.
Sentimento de missão cumprida. Sensação de coisas deixadas pra trás. Vontade de ir embora. Vontade de ficar. Vontade de voar.
Deixamos vestígios nas pessoas amamos. Um pouquinho de nós sempre fica... e isso é o que importa.
O fim é belo incerto, depende de como você vê o novo, o credo, a fé que você deposita em você... e só enquanto eu respirar vou me lembrar de vocês.
Silvia Ferreira | comentários(6)
02/12/2008 00:23 Um amor, um lugar... 
Acordou. Olhou em volta.
Viu bagunça.
Recostou. Olhou pra dentro.
Viu desordem.
Olhou no espelho, viu cansaço.
Olhou de novo, viu sono.
Olhou o coração. Viu preguiça.
Olhou do lado. Viu relógio.
Pegou o relógio. Viu o horário.
Olhou a história, viu vitória.
Olhou mais fundo, viu falácia.
Procurou o sentido, não viu.
Só viu o tempo passar, vil.
Olhou pra trás, viu o que não queria.
Olhou pro céu, não viu nada.
Mas pediu.
Olhou pra dentro e nada viu.
Tudo sumiu.
Olhou pra fora, viu exagero.
Olhou pra si, viu recomeço.
Olhou de novo, viu vontade.
Uma vontade que nunca se viu.
Mas que sempre existiu.
Um amor, um lugar,
Pra sonhar, pra parafrasear.
Pra que a dor possa sempre mostrar
algo de bom.
Silvia Ferreira | comentários(1)
10/11/2008 01:34 As coisas que a gente se pergunta depois que entrega o TCC... 
1) Quem é Barack Obama?
2) A Donatela tá com o Zé Bob ainda?
3) A Flora já matou o seu Gonçalo?
4) O CQC ainda tá no ar?
5) Como assim, não tem mais TCC pra fazer? Peraí, acabou? É sério?
6) Como assim, solicitar colação de grau? Isso era pra ser daqui há quatro anos!
7) Quê? Tem bienal em São Paulo de novo? Mas a outra não foi no ano passado? Bienal não é de dois em dois anos? Como assim já passou 2 anos??
8) “Confira os resultados das provas da UF-num sei o q”? Peraí, existe vestibular ainda?
9) Decoração de natal? Hã? Quê? Dia 2 foi finados? Teve um feriado esse mês? Caraca, tinha q ter ido à missa??
10) Eu preciso ir mesmo embora?
Alguém complementa?
Tá acabando, gente, tá acabando... parece mentcheeeeera... pinta de neón q eu ainda tô bege!
Silvia Ferreira | comentários(4)
21/10/2008 03:22 TALENTO DE GOSTAR 
Bom, como a Fer já previa, eu não tenho personalidade mesmo e voltei. É o segundo post desde que eu prometi não postar mais nada até o fim daquela invenção do demo chamada TCC.
Mas é que hoje eu fui a São Paulo, e jornalistinha caipira do interior sempre volta de lá com história pra contar. Por exemplo, quando estava saboreando a tradicional dupla coxinha com suco em um quiosque da Barra Funda, uma mulher do meu lado gentilmente mandou a atendente esquentar os pães de queijo que estavam frios, eliminar aquela cara de bunda e parar de atender igual o rabo. Como se fosse possível sorrir depois dessa.
Tentei digerir e fui ao banheiro grátis, que é mais zoado, mas é grátis. Até acho que a integridade do meu traseiro vale um real, mas estava com preguiça de procurar a moeda. Eu tinha uma nota de 20, mas mesmo que tivesse troco, dá dó de usar só pra ir no banheiro.
Entrei. Papel, já sabia que não tinha, mas o mais importante, aquele espelhinho de bordas cor-de-abóbora, não estava lá como das outras vezes (não é a primeira vez que eu coloco meu bumbum em risco). Perguntei por ele, com saudades. A moça da limpeza disse que precisou tirar, porque senão já estaria quebrado. Ainda tentava entender a lógica da resposta quando fui abordada por uma mulher me pedindo um real porque a mãe dela tinha morrido de câncer. Não entendi a lógica também. Desencanei.
Enquanto comia uma coxinha, tomava um suco e vivia uma aventura no banheiro gratuito, esperava um ônibus que ia demorar mais ou menos 5 horas pra chegar até o destino final. Tinha bastante tempo pra pensar. E enquanto tudo isso acontecia, me questionava de onde vem o carinho que sinto por algumas pessoas.
Muitas delas, nunca me deram motivos. Outras, são completamente diferentes de mim. Outras, só conheço por MSN. Outras, nem conheço. Só admiro. Mas admiração não está necessariamente ligada ao carinho. O Max Gehringer, por exemplo, eu acho foda, escuto ele todo dia, mas não tenho vontade de abraçar. Então, o que acontece? De onde vem isso?
Toda habilidade que a gente não consegue explicar é simplesmente talento. Pode ser que o talento seja meu, o talento de gostar. Pode ser que o talento seja de quem eu gosto: talento pra ser gostado. Lamento que muitas vezes o talento de ser gostado não seja diretamente proporcional ao talento de retribuir. E também lamento que existam pessoas sem nenhum dos dois talentos.
Só sei que essa coisa, sem sentido e sem lógica, como todo talento, é inebriante. É delicioso sentir. É delicioso colocar em prática. É delicioso dar carinho. É delicioso agradar. É delicioso celebrar em pequenos atos o inexplicável do ser humano.
Por isso, o meu muito obrigada a todos que se deixam gostar, sem precisar se esforçar pra isso.
Digressão
A Sandra de Angelis me ensinou hoje: Não tenha medo da crise se você já é um fodido. É a lei da gravidade, quem está perto do chão, do chão não passa.
Silvia Ferreira | comentários(3)
15/10/2008 00:03 Convicções Políticas 
Deboche;
Megalomania;
Empirismo;
Dialética;
Fazer o bem;
Crianças;
Voto nulo;
Amanhã;
Depois de amanhã.
Próximos passos:
AMANHÃ: tirar o deboche da política.
DEPOIS DE AMANHÃ: tirar a política das convicções.
Silvia Ferreira | comentários(2)
28/09/2008 23:52 Aos leitores imaginários!
Você viu que o meu blog saiu no jornal? Não? Ahhhh! Vocês não viram que isso não me rendeu nenhum comentário a mais? Isso quer dizer que ninguém se interessou em sair do impresso e ir até uma janela do Explorer pra ver "qual era a dessa mina"? Isso quer dizer que o conteúdo dos cadernos de Cultura causam menos impacto do que as colunas vendidas do Rufino e do GNP! (Na mesma edição, soube de um estimável retorno via telefone para algumas empresas que barganharam o espaço). Ou pode ser também que o meu blog não tenha nada a ver. Se o que eu faço não tem nada a ver, e o jornalismo não-pago também não tem nada a ver, isso quer dizer que todos nós aqui somos um simulacro torto de uma realidade que a gente acha que existe?
THIS IS NOT A BLOG.
De qualquer maneira, agradeço a presença ilustre e a fidelidade de todos os meus leitores imaginários.
Carência de blogueiro é foda, né?
Eu só passei aqui pra dizer oi, e avisar que vou ficar um tempo sem postar, mas vou continuar pensando, tá? É que tô de cabeça no TCC, apesar de ter várias inspirações :)
Antes de sumir, eu só preciso falar algumas coisas... primeiro sobre os SONHOS! Estou tentando difundir um pensamento do Darci Ribeiro (os amigos mais próximos já estão rindo do clichê), mas como eu não tenho tempo de dissertar, só vou lançar pra reflexão: "A gente não sabe como o mundo vai ser daqui a 30 anos. Então ainda dá tempo de interferir nos rumos da história".
Eu também queria falar sobre os fundamentos da política, das eleições, da crise econômica mundial e do neoliberalismo, quatro coisas que não existem, mas querem fazer a gente acreditar que existem. E já que não existem, porque estou perdendo meu tempo pra falar sobre essas coisas? Para incitá-los à reflexão sobre a grande falácia que virou o mundo.
THIS IS NOT A WORLD.
Eu também queria falar sobre a única coisa que vale a pena... SERES HUMANOS! Com todas as crises existenciais, é a coisa mais sincera que existe. Por isso, só queria convidá-lo a olhar para si, enxergar suas verdadeiras potencialidades, ressaltá-las e ser feliz. As efemeridades são apenas um detalhe. A loucura é o que realmente vale a pena nesse manicômio global, desde que ser louco seja sinônimo de ser sonhador. Ame o que já passou. E ame o que está por vir. E viva agora o que tiver pra viver, desde que não atrapalhe o que você possa vir a viver depois (desgaste a sua alma, mas conserve seu corpo, pois ele acaba).
Acalme-se com as fases. Da insegurança, vem a autoconfiança. Da autoconfiança, com estudo e técnica, vem a excelência. QUE DEMORA MUITO A CHEGAR. E pode demorar mais se você não se empenhar em chegar até ela.
E pra que a excelência?
Esqueça o top business das VOCÊ S.A.'s da vida. Atingir a excelência é fazer o seu sonho virar realidade. E tudo isso pode durar uma vida.
Parece que sou bem resolvida, né?
Só estou compartilhando algumas reflexões que venho tentando aplicar, na maioria das vezes com insucesso, ERRANDO ENQUANTO O TEMPO ME DEIXAR.
Você não sente não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer.. o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer.
O presente, a mente, o corpo é diferente, e o passado é uma roupa que não nos serve mais!
Silvia Ferreira | comentários(9)
20/08/2008 01:16 POÉTICA 
Passei os últimos dois dias em companhia de Manuel Bandeira e Fernando Pessoa.
Eles voltaram, pediram licença, entraram com tudo e tornaram a me viciar. Havia quase esquecido o que as palavras doces são capazes de despertar... Boa recaída! Por isso, resolvi seguir os conselhos do Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa):
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
E quem é igual a mim-própria? Manuel traduz!
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
E o tempo perdido até aqui com o lirismo cativo? Fernando Pessoa compartilha sua infinita sabedoria:
Amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia
Por isso, encerro com a fé de Manuel...
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.<
... e vou-me embora pra Pasárgada.
Silvia Ferreira | comentários(1)
15/08/2008 00:59 Reflexões esparsas 
O padre acabou de falar na TV que eu sou o ser humano certo.
E que eu não posso me convencer do contrário.
Por que apenas eu sei o que eu sou de verdade.
Caramba, ele tem razão. Então, pode me julgar à vontade.
Eu já descobri quem está tentando me roubar de mim.
“Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina”, continua o padre.
Rubem Alves acabou de dizer que a solidão é minha amiga. Por que o operário em construção se descobriu poeta na solidão.
Thiago Roque acabou de escrever que seu carinho é mendigo. E eu também não sei o que fazer com o meu. Por que é tanto, não cabe mais dentro de mim, e eu já repassei pra todo mundo que se mostrou interessado em receber.
E fico me perguntando se os aparentemente desinteressados não gostariam de receber também. E tantas vezes, por orgulho, me afogo no meu próprio carinho, pois me recuso a dividi-lo com quem pode não dar a ele o valor que ele merece.
Mas a idéia não é dar sem receber?
Pois é, é. É só uma filosofia bonita. Mas eu quero carinho também, e não estou afim de nadar sozinha. É triste. É solitário. É frustrante. E não dá pra ser feliz assim.
E aí a gente escreve. “Reproduz o irreproduzível”, como diz Clarice.
E aí a gente canta. Toca. Transcende.
Joga o carinho pro ar. Pega quem quer. Alivia o peso do excesso e depois sofre com a dor do vazio.
Obrigada, Deus, por inventar as notas e as letras.
O carinho e o amor.
Os blogs e os escritores mágicos.
E o Paulo Freire, que disse que é preciso não se render a quem proclama que sonhar é uma forma de fugir do mundo e não de recriá-lo.
Por eles e com eles, eu sigo lutando pra não seguir resignada e muda no compasso da desilusão. Por que esse ano tem eleição.
Silvia Ferreira | comentários(4)
30/07/2008 23:33 Um papo com o seu dotô!
- Boa tarde, doutor.
- Boa tarde!
- Como você está?
- Olha doutor, eu estou bem. Na verdade, quando alguém pergunta isso, se eu analisar bem mesmo, eu quase nunca estou 100% bem. Mas eu tenho que dizer que está tudo ótimo, senão fico conhecida como uma pessoa negativa. Então eu tento ser simpática. Digo que tá tudo bombando na minha vida, e assim as pessoas gostam da minha presença.
- Nossa, espero que você esteja pelo menos uns 99% bem então!
- Não, doutor, não tô. Mas se eu disser que tô 50% bem, o senhor vai tentar me convencer que eu não tenho motivos pra reclamar de nada.
- Mas olha pra você! Uma moça jovem, bem disposta, inteligente, bonita!
- É doutor, essa parte legal aí é a parte do 50% que tá bom. Mas não elimina o 50% que tá ruim. Manja?
- E o que tá ruim?
- Eu só posso dizer a parte ruim que me trouxe até aqui, e espero que o senhor transforme em uma porcentagem positiva.
- Tudo bem, você que sabe. O que você está sentindo?
- Minha cabeça tá doendo.
- Humm... que mais?
- Acho que é de tanto pensar.
- Bom, nesse caso eu posso te receitar um analgésico enquanto não encontramos o problema, marcamos uma ressonância magnética e...
- Doutor, eu só quero parar de pensar.
- Por quê???
- Por que se eu parar de pensar minha vida vai ser 100% boa.
- Minha filha, você não pode pensar assim.
- Ah doutor, todo mundo diz que a gente tem que aceitar de boa tudo o que a vida oferece, mas tipo assim, se eu continuar pensando do jeito que eu penso, não vai dar pra continuar não.
- Mas minha filha, você deseja se matar então?
- Não doutor, eu só quero aprender a ser passiva pra parar de sofrer.
- Mas você é jovem ainda, mais tarde você vai ver que tudo o que acontece na nossa vida tem um porquê.
- Tá doutor, mas enquanto eu não tô sacando esse porquê, tá foda.
- É a ansiedade própria da juventude...
- É doutor, deve ser. Mas o mundo tá todo lascado porque os jovens deixaram de ser jovens, e conseqüentemente deixaram de ser ansiosos.
- É uma boa reflexão!
- É doutor, mas me deixa nervosa. E aí minha cabeça dói. E eu vim aqui pra cabeça parar de doer.
- Me desculpe. Mas eu preciso entender por que sua cabeça dói quando você pensa. Eu tenho que compreender o processo pra tentar te ajudar.
- Então tá, doutor, vai olhando aí que eu tô pensando.
- Pensa fundo!
- Eu vou ter que votar pra prefeito esse ano de novo.
- Agora despensa devagar!
- Se – prefeitos – fossem – ansiosos – como – eu – eles – já – teriam – mudado – uma – pá – de – coisa – na – cidade.
- Pensa mais, querida.
- Se eu disser tudo o que com certeza eu teria mudado no lugar dele, as pessoas vão dizer que eu não tenho conhecimento pra mudar nada. Mas eu tenho ansiedade. E o conhecimento dele não serviu pra merda nenhuma. Só pra manutenção do status quo. E essa última frase clichê aí, é o que traduz melhor a coisa, mas meus amigos vão dizer que eu não tenho capacidade de escrever nada melhor, logo, não tenho capacidade pra ocupar o lugar do prefeito. Só que o prefeito nunca disse nada muito melhor que isso. O doutor descobriu alguma coisa aí?
- Nada!
- Mas eu descobri que o mundo não tem solução, então eu quero parar de pensar.
- Você é muito inteligente!
- Mas eu não queria ser.
- Por que?
- Por que hoje em dia isso não quer dizer nada. A maioria da galera que se dá bem é medíocre. E a galera medíocre pensa pouco, com sérias restrições. E eu quero me dar bem, logo eu preciso parar de pensar. Pra me dar bem, eu preciso, inclusive, deixar de pensar que tem tanta gente por aí se dando mal pra caralho.
- Ah, mas você tem que pensar que cada um colhe o que planta e...
- Tomá no cu, ninguém escolhe ser fodido.
- Você é uma menina, doce, meiga, não pega bem falar nesses termos.
- Tudo bem, “ninguém opta por nascer socialmente desprivilegiado”.
- Bem melhor assim!
- Grande bosta, quer dizer a mesma coisa.
- Olha, eu não consigo identificar o problema, não vou conseguir eliminar o pensamento da sua vida. Mas eu tenho algumas medidas paliativas.
- O que é doutor?
- Posso te receitar um ácido. Tanto o LSD como outras drogas alucinógenas causam um conjunto de distorções na percepção da realidade.
- Hum, parece interessante, doutor. Mas não era a galera hippie, que queria mudar o mundo, que usava essas coisas aí?
- Era.
- Mas doutor, do mesmo jeito que o senhor tem que me “assistir” pensando pra encontrar a solução pro meu problema, pra mudar o mundo esses caras teriam que enxerga-lo como ele é.
- Pois é.
- Pô, doutor, desse jeito a minha cabeça dói. Mas peraí, doutor, esse povo famoso usou ácido e morreu, certo?
- É. A Janis, o Jim e o Jimi. Piraram.
- Ah, tô ligada. Curto o som dos caras.
- E porque eles morreram hoje você é obrigada a ouvir NX Zero.
- Nossa doutor, eu não desejo isso pra humanidade. Mas também não quero mudar o mundo, já desisti. Então esse negócio de ácido aí, acho que vai servir. Cansei de esperar um mundo melhor. E se todo mundo que usou era foda, pelo menos eu entro pra posteridade.
- Mas você chegou a lutar por um mundo melhor, ao invés de ficar só esperando?
- Pô doutor, não faz pergunta difícil.
- Responde.
- Ah, eu tento. Mas eu não sei fazer direito. Então melhor desencanar.
- Ouvi dizer esses dias que ninguém comete erro maior do que não fazer nada só porque pode fazer pouco.
- É doutor, realmente muito boa a frase. Mas as pessoas estão confundindo “fazer pouco” com “fazer mal feito”. E isso eu me recuso.
- É...
- Tá vendo? Acaba com isso, doutor, minha cabeça tá doendo. Me dá logo esse ácido. Quando eu tomar eu vou esquecer que tem criança laranja morrendo na favela pra sustentar a minha viagem?
- Acho que vai.
- Nossa, doutor, eu não tenho coragem de esquecer isso.
- Decide logo!
- Eu não consigo!!! Decidir dói. Mas pensando bem, tô acostumada com a dor. E se a minha vida não puder ser 100%, que ao menos eu possa melhorar em 1% a vida de alguém que dói também.
- É uma boa escolha.
- Obrigada, doutor. Quanto foi a consulta?
- R$100,00.
- Pô doutor, ia doer bem menos se você cobrasse mais barato.
- Acredito, mas isso já é um problema seu.
Silvia Ferreira | comentários(17)
14/07/2008 01:20 Five I's. Yes!!! 
Siga estes cinco pressupostos para identificar situações que podem eliminar o tédio das nossas vidas, mesmo que apenas por alguns instantes.
Diante de qualquer estranhamento, pergunte-se:
É Insano?
Se você responde NÃO: Volte à sua vidinha insuportavelmente normal.
Se você responde SIM: Permita-se. E faça a segunda pergunta.
É Irracional?
Se você responde NÃO: Provavelmente é uma reflexão filosófica. Insanidade sem emoção, sem graça.
Se você responde SIM: Pare já de tentar raciocinar. E faça a terceira pergunta.
É Inebriante?
Se você responde NÃO: Se o insano e o irracional não te inebriam, és um caso perdido.
Se você responde SIM: Sinta. E vá para a quarta pergunta.
É irresistível?
Se você responde NÃO: Se resistes ao inebriante, só lamento.
Se você responde SIM: Viva o que há pra viver. E vá para a última pergunta.
É intenso?
Se você responde NÃO: Deixe de ser idiota. Jogue-se!
Se você responde não responde nada: é por que certamente nem se lembrou da última pergunta.
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!" (Fernando Pessoa)
POBRES HUMANOS NORMAIS, O MEDO DE SER DIFERENTES NOS TORNA TODOS IGUAIS...
POR ISSO....
VÁ ERRANDO ENQUANTO O TEMPO TE DEIXAR.
Ao recuperar-se, não deixe de registrar sua digressão em um texto.
Se fosse convencional, talvez perdesse o encanto. Era justamente o caráter inexplicável que os atraía para aquela situação: em um primeiro momento, embaraçosa. Depois, inacreditável. Em seguida, deliciosa, vivida, sentida, usufruída. Os olhares que por tanto tempo buscaram-se sem perceber não precisavam mais disfarçar a atração. Olhares doces, profundos, pedindo sempre mais - mais olhares, mais carinhos, mais beijos, mais atenção, mais daquele jeitinho tão peculiar, tão único, tão próprio de cada um. E a admiração mútua daquilo que tinham de melhor frutificava-se em momentos ímpares. Não importava o que um ou outro não era. Para quem se permite viver, importa apenas o que se é, o que existe e é suficiente para fazer feliz por um instante. Não precisa ser pra sempre. Basta apenas um instante insano, irracional, inebriante, irresistível e intenso. Que seja eterno enquanto dure, mas que não dure muito, apenas o suficiente pra desafiar a razão e permitir alguns espasmos de liberdade.
PS: Compartilhe seu "Instante Five I's" aqui no Desmascarando Demagogias. Mande sua insanidade pra mim, vou continuar cometendo loucuras e torcendo pela insensatez geral da humanidade.
"... Milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz..."
(Clarice Lispector)
Silvia Ferreira | comentários(5)
29/06/2008 18:16 15 +... Love Songs 
(Porque todo apaixonado fica “mulherzinha”)
Milk And Toast And Honey (Roxette)
Vulnerable (Roxette)
2 become 1 (Spice Girls)
Easy (Faith No More)
Amar é (Roupa Nova)
From this moment On (Shania Twain)
Build (Housemartins)
Don’t Know Why (Norah Jones)
To be with you (Mr. Big)
Suddenly (Soraya)
Para Tu Amor (Juanes)
Palpite (Vanessa Rangel)
Beija Eu (Marisa Monte)
Heal The Pain (George Michael)
Here Comes The Sun (The Beatles)
Uma homenagem aos casais amigos, especially:
Bruno e Júlia
Tetê e Carol
Ulisses e Lígia
Fofuras!
Silvia Ferreira | comentários(4)
17/06/2008 01:25 Sobre a relatividade das relações humanas...
Dias atrás, refleti sobre as pessoas que convivem comigo e sobre as que não convivem também. Fiquei pensando:
Por que tem gente tão legal que cansa a gente?
Por que tem gente tão legal e tão blasé?
Por que tem gente tão legal e tão arrogante?
Por que tem gente tão legal e tão diferente?
Por que tem gente tão legal e tão amarga?
Por que tem gente tão legal e tão pessimista?
Por que tem gente tão legal e tão divertida?
Por que tem gente tão legal e tão insuportável?
Por que tem gente tão legal e tão otimista?
Por que tem gente tão legal e tão agradável?
Por que tem gente tão legal e tão verdadeira?
Por que tem gente tão legal e tão falsa?
Porque no fundo todo mundo é muito legal e muito chato. O que nos faz classificar uma pessoa como legal é o fato da chatice dela estar no mesmo patamar da nossa própria chatice. Logo, seremos sempre suspeitos para julgar.
Por isso eu digo, mesmo, sem medo de parecer arrogante, que eu não me relaciono com qualquer um. No meu círculo de amizades sinceras estão apenas as pessoas tão chatas quanto eu. É por isso que muitas vezes o papo não flui... o meu interlocutor não é obrigado a viver a chatice da minha faculdade, do meu trabalho, dos meus delírios de consumo, dos meus surtos politizados ou dos meus problemas existenciais. E isso não as faz nem mais, nem menos. Apenas diferentes.
É engraçado como julgamos inadequadas para convívio as pessoas que vivem chatices diferentes das nossas... Se houvesse uma superação dialética de chatices, talvez a vida fosse mais divertida. No fundo, todo chato tem um “ó do borogodó”. Eu não sei o que é isso. Se soubesse, não usaria uma expressão ridícula que não diz nada pra tentar traduzir todo o inexplicável do ser humano, que é ser único em sua própria chatice. Por isso, vou tentar parar de classificar pessoas e deixar que vivam suas chatices ao lado de chatos semelhantes que se completam, se bastam e são felizes sem mim.
P.S. I Love You: Este post não vale para chatos bonitos e inteligentes.
Chatices profissionais:
Repórter – sigilo de informação – respeito e preservação da fonte: comportamento ético e socialmente responsável.
Assessor de imprensa – sigilo de informação – respeito e preservação do cliente: Comportamento filho da puta.
Eu não entendo!
Silvia Ferreira | comentários(8)
28/04/2008 13:43 Desmascaradores oficiais do mundo corporativo
" Não é porque ele distribui presentes de graça que vai justificar sua incompetência...."
Quando o Calvin escreve para o Papai Noel, pedindo um foguete atômico e ganha 2 meias e uma camisa.
"É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto e dorme tranqüilo
Sabendo do fundo do peito que não era nada daquilo..."
Viva Raul! :-)
Recado irônico-aleatório-pós-sábado-com-Luciano-Huck:
Crianças, continuem soletrando palavras estanques assim tão bem! Vocês chegam longe soletrando! O Brasil se orgulha de vocês! O futuro reserva a vocês uma bela carreira como soletradores oficiais! É tudo o que vocês vão conseguir com essa fantástica habilidade!
MEU DEUS!!!!
VAMOS INCENTIVAR AS CRIANÇAS A TENTAR SOLETRAR O MUNDO!
Silvia Ferreira | comentários(3)
04/04/2008 00:58 VAGAS PERGUNTAS COMPARTILHADAS  Aguardo as respostas, e espero que sejam menos vagas do que as minhas.
O que inspira você?
Se eu pudesse adiantar, não seria inspiração.
Porém, depois dessa propaganda aqui, resolvi encarar o dragão da inércia e recobrar o príncipe do sono profundo (Nos contos de fada são princesas, mas não sou evoluída e minha faca finca apenas um legume). O mais engraçado é que eu vi a propaganda na TV, o tal veículo réu pelo crime de emburrecimento coletivo. Sorry, não vivo sem ela, desde que sintonize Futura, Globonews, Telecine Pipoca e qualquer canal que transmita Chaves e Chapolin.
O que você faria se não tivesse medo?
Sente-se preparado para responder essa pergunta?
Com certeza, a primeira coisa que eu faria se não tivesse medo é: CONTAR O QUE EU FARIA SE NÃO TIVESSE MEDO. Principalmente sobre os tórridos pensamentos que me inspiram.
No fundo, o maior medo do ser humano é ser rejeitado pelas pessoas. Se perdêssemos esse medo, o pior de nós seria praticamente uma fratura exposta, aquele osso mesquinho e canalha que todo mundo tem. Em algumas pessoas é um fêmur, em outras um simples metacarpo. Ambos são fundamentais na constituição do corpo e do ser humano, pois, convenhamos, ser essencialmente bonzinho e politicamente correto deve ser muito chato.
O questionamento é de Richard Bach, autor do pequeno, mas grandioso livro, “Fernão Capelo Gaivota”. Recomendo a leitura, fácil, rápida e um pouco cansativa para mostrar que grandes conquistas não são fáceis.
Pra que serve o jornalismo humanizado?
Eu chamaria de sensacionalismo eufemizado.
Trata-se de uma conspiração da indústria farmacêutica tarja preta para tornar a população mais deprimida. Não preciso assistir na TV o enterro de uma criança de 12 anos que morreu de dengue. Também não preciso assistir o choro inconformado da mãe e um infográfico com o boletim de notas da garotinha na escola. E como não me inspira em nada, desde o ano passado abandonei definitivamente a leitura das colunas policiais e os filmes de terror.
Silvia Ferreira | comentários(4)
25/03/2008 00:55 Vem andar e voa... (As demagogias de uma legítima canceriana romântica)
Um belo dia acordou e viu que tudo era novo. Inclusive o velho.
O velho deixou de ser distorcido pela fantasia e tornou-se novo. E quando a realidade veio à tona, sentiu-se só, porque nada é o bastante enquanto se busca um grande amor.
Alguém para esperar com um abraço gostoso ao chegar do trabalho.
Alguém para compartilhar leituras, músicas, e a poesia que se concretiza na cama. Dormindo ou não.
Alguém pra tratar a doença ou a manha.
Alguém pra mimar e dar atenção.
Alguém pra fazer aquela massagem no fim do dia.
Alguém pra assistir a novela das oito e o Jornal Nacional, abraçadinho no sofá... ou um filme com pipocas, no friozinho do inverno.
Alguém pra rir de desenhos animados e seriados mexicanos infantis.
Alguém pra brincar com o poodle no quintal...
Alguém pra dar carinho.
Alguém pra poder oferecer tudo isso e o que mais houver de melhor e pior.
Como pode doer tanto a falta de um alguém que ainda nem conhece?
Ah, como dói. E como cansa esperar.
Ainda é cedo, cedo, cedo, cedo, cedo...
Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for
(Vilarejo – Marisa Monte)
Silvia Ferreira | comentários(8)
18/03/2008 08:59 Diálogos Literários
Dialogando com www.noticias-mentirosas.blogspot.com
Toda nudez será escrita
A nudez precisa de inspiração... Sem pressa.
Começa nos entreolhares revestidos de pudor, que cruzam-se, perdem-se, disfarçam, mas insistentemente procuram-se e superam os pressupostos da razão.
Passa pelo esquecimento, sim... mas sensações verdadeiras reavivam-se, renascem, intensificam-se, buscam incansavelmente a consumação.
Chega ao toque... o leve toque que marca a presença, a reação, a imoral espera pelo avanço, a intensa satisfação da aproximação, a ternura profana, a conexão mística.
Inexplicável.
Insensata.
Inviolável.
Imutável.
Invencível.
Termina em poesia.
Silvia Ferreira | comentários(0)
30/12/2007 03:03 Considerações sobre um ano ímpar! 
Putz, já estamos no dia 30!
O ano termina, e começa outra vez! A Simone canta isso como se tivesse descoberto a América... O clima é de paz, harmonia, alegria, esperança... e todas as outras baboseiras que escrevemos nos cartões. Se não fossem os protocolos, eu poderia ser mais sincera:
“Querido amigo...
Que em 2008 você possa olhar pra trás, ver todas as cagadas que você fez e refletir para não voltar a cometê-las. Que as suas cagadas sejam muitíssimo piores que as de 2007, para que de fato você possa aprender com elas e crescer cada vez mais.
Assim, crescendo, vendo-se humano e imperfeito, que você possa julgar menos.
À você, um feliz ano novo, repleto de erros novos!”
Silvia Ferreira | comentários(1)
28/09/2007 01:11 SINGELA HOMENAGEM ÀS PESSOAS MARAVILHOSAS
Tá tudo muito conturbado, sem perspectivas de melhorar. Dinheiro, todo mundo me pede, eu peço pra todo mundo, no final ninguém se ajuda e todos estão na pior. O mundo me provoca, e tudo o que eu consigo sentir nesse momento é uma alegria imensa porque eu tenho pessoas maravilhosas ao meu redor. E principalmente porque a esta altura dos meus singelos 21 aninhos eu sei exatamente o perfil das pessoas não-maravilhosas e me sinto sinceramente agraciada por ter tanta gente inesquecível no meu caminho. Eu sempre escrevo demais e bem rebuscado, mas hoje tô fazendo esse discurso diretão pq as coisas boas da vida são simples, e hoje eu to num momento muito bom pra falar das coisas boas da minha vida. E elas se resumem simplesmente em pessoas. Pq o resto a terra come, ou o mundo avacalha, ou os políticos roubam, ou as pessoas não maravilhosas atropelam.
Obrigada pessoas maravilhosas!
Eu não vou citar nomes pq vcs sabem quem são.
MINHA VIDA É MAIS COMPLETA PQ VCS FAZEM PARTE DELA!
EU AMO VOCÊS!
Silvia Ferreira | comentários(3)
16/06/2007 16:02 SE EU PUDESSE, E MEU DINHEIRO DESSE... Eu voltaria no tempo, e faria tudo o que (AINDA) não fiz;
Eu cancelaria tudo, e começaria tudo de novo;
PRA SER UM POUCO MENOS DE EU MESMA.
MAS, SE EU QUISESSE, E O MUNDO PERMITISSE...
Eu seria só emoção e não teria malícias;
Eu seria uma pessoa só sem temer os prejuízos.
Silvia Ferreira | comentários(4)
28/05/2007 23:55 A imaturidade dos maduros: Entre o útil e o inútil, o real e o ideal
Das vãs sutilezas
Os homens recorrem por vezes a sutilezas fúteis e vãs para atrair nossa atenção. (...) Aprovo a atitude daquele personagem a quem apresentaram um homem que, com tamanha habilidade, atirava um grão de alpiste e o fazia passar pelo buraco de uma agulha, sem jamais errar o golpe. Tendo pedido ao outro que lhe desse uma recompensa por essa habilidade excepcional, atendeu o solicitado, de maneira prazenteira e justa a meu ver, mandando entregar-lhe três medidas de alpiste a fim de que pudesse continuar a exercer tão nobre arte. É prova irrefutável da fraqueza de nosso julgamento apaixonarmo-nos pelas coisas só porque são raras e inéditas, ou ainda porque apresentam alguma dificuldade, muito embora não sejam nem boas nem úteis em si. Montaigne, Ensaios
Descobri esse texto precioso na prova da Fuvest deste ano. Demagógico, não? Afinal, estão para inventar coisa mais inútil que o vestibular. Mas deixa pra lá...
Eu estava analisando a prova pra saber se ainda tenho a capacidade cartesiana de prestar outro vestibular: Gestão de Políticas Públicas na USP Leste. Só pra tentar ser uma jornalista política um pouco menos superficial do que sou hoje, pra não me sentir ainda mais uma atiradora de alpiste em agulhas, pra não ser mais uma profissional que escreve sobre nada para ninguém.
Não, não... eu não estou querendo desmerecer meus colegas de profissão. Pretendo apenas explicitar o conflito que vivemos entre o real e o ideal, o útil e o inútil. Queremos ser diferentes e não conseguimos. Desejamos ser melhores e não podemos. E mesmo assim, amamos tanto que nos sentimos traídos com cada decepção.
Hoje, minha amiga Marcela (linda, que saudade!), estudante e professora de história, conseguiu traduzir essa revolta com duas palavras certeiras, que há muito queria tirar de dentro de mim: é um gostar angustiante. Porque não deixamos de gostar das coisas como elas deveriam ser, assim como não podemos torná-las realidade perante a complexidade do sistema. Também não conseguimos abandonar esse sistema por possuirmos necessidades humanas e para evitar aquela triste sensação de covardia que nasce quando deixamos de lado algo ou alguém que precisa de nós.
E hoje eu li isso com tristeza em um site sobre liderança:
“O espírito comunitário é diametralmente oposto ao espírito de concorrência sobre o qual se têm baseado até nossos dias a vida social e todos os métodos de educação e de ensino.”
Métodos de educação e ensino? Que métodos? E o jornalista dito mediador, que tem o espaço de 5 centímetros/coluna pra fazer uma reportagem? E as publicidades desleais que vemos por aí? E as filosofias de empresas, pessoas e organizações que só se cumprem no papel e em palavras? E o princípio de que é preciso fazer o que o povo gosta, e ninguém gosta de ler? E a rapidez do mundo moderno que superficializa as relações sociais, os conceitos, as teorias e até a prática? Quantos homens tomariam mais gosto pelo seu trabalho, se este lhes fosse apresentado como um serviço social do qual se sentissem responsáveis? Até quando os donos da mídia, do poder, da cultura e do conhecimento nos tirarão o direito de conhecer aquilo que não conhecemos para aumentarem seus lucros?
Chamam-me utópica. “Vitalidade da juventude”, é o máximo que conseguem teorizar sobre minhas inquietações. “Não sabe nada sobre a vida, sobre o mercado, sobre nada”. De fato, não sei. E isso me faz mais esperta que os mais adultos, mais velhos, mais vividos, mais experientes... Afinal, quanto mais esperto eles foram, mais problemas criaram para eles mesmos e para todas as pessoas que vão sofrer as conseqüências diretas das suas ações.
Essa é a prática que costumo denominar “Um problema para cada solução”... Caminhos da semiótica e tantas outras coisas impraticáveis: uma solução criada para um problema que não existiria se essa solução não existisse.
É o velho ditado do besouro: Pela aerodinâmica do inseto, o vôo seria impossível. Mas os besouros nunca foram para a escola estudar física.
Estou usando neste momento recursos da contra-retórica. Grosso modo, isso me permite adiantar o que você possivelmente está pensando pra me apropriar da sua razão. Assim, tenho razão sobre qualquer aspecto e continuo sendo a dona da verdade que só existe pra mim. Ufa!
Olha que chato. O mundo ficou previsível. Sujeito a leis de todas as naturezas. Com que direito alguém pode se achar mais esperto que o outro, se uma bela retórica basta pra tornar verdadeiras tantas coisas inquestionáveis. Aliás, o “esperto” que inventou a retórica certamente morreu louco com o próprio veneno.
E eu, e tantos outros colegas, vamos seguir os mesmos passos. Daqui há uns 5 anos, no máximo, não restarão ilusões. Seremos espertos e incompletos, a favor das leis de mercado e contra os nossos sonhos. Grande besteira é sonhar. Nossos verdadeiros sonhos, aqueles que nasceram dentro de nós e não fora, não vão se realizar, porque nunca será possível comprá-los.
Ironias do destino, quando conseguimos conceber o mundo dessa forma e passamos a buscar o palpável pra sermos um pouco mais felizes, somos considerados porcos capitalistas, vendidos, prostituídos. Porém, inseridos e “engrupados” (quando não “engrupidos”), cada um com sua tribo, cada qual com a projeção da personalidade mais adequada ao contexto do mundo.
Alguém aí está disposto a lutar pela causa do ideal e do útil?
Eu até queria, mas tô sem dinheiro agora.
Silvia Ferreira | comentários(7)
12/04/2007 03:58 A Guerra do Século: Aquecimento Global 
ONU aponta conseqüências do aquecimento global e China lança plano de ação para atenuar as mudanças climáticas; Energia nuclear continua sendo a mais polêmica entre as fontes alternativas.
No início deste mês, a ONU divulgou um relatório sobre o clima informando que a temperatura global pode aumentar entre 1,8ºC e 4ºC até 2100. Parece pouco, mas esta mudança, proporcionalmente brusca em escala geológica, pode provocar um aumento de até 59 cm no nível dos oceanos e diversas inundações, além de ciclones, tufões e furacões cada vez mais violentos e ondas de calor mais freqüentes, conforme avaliam os cientistas.
Como conseqüência direta desses efeitos, espera-se uma redução da oferta de água potável e o desaparecimento de ilhas, regiões litorâneas e superfícies férteis. Especialistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), setor da ONU responsável por esse tipo de monitoramento, afirmam que as mudanças obrigarão milhares de pessoas a abandonarem suas casas, e o número de refugiados do clima poderá ser superior ao de refugiados de guerra.
Considerando que a emissão de dióxido de carbono (CO2) é a principal causa desse superaquecimento, vários países já fazem investimentos pesados em busca de soluções. Nesta semana, a China, gigante do crescimento econômico no século 21, anunciou um plano nacional para atenuar a mudança climática. O projeto inclui medidas que reduzem a poluição da atmosfera e visa o estímulo da produção e transferência de tecnologias que respeitem o meio ambiente, envolvendo políticas de cooperação internacional.
No entanto, o debate climático tem ocorrido em torno de controversas opiniões e experiências que inviabilizam e aprovam, ao mesmo tempo, diversas fontes alternativas de energia. Nessa corrida, muitos ambientalistas, biólogos, economistas e cientistas de todos os campos apresentam estudos de procedência e alcance unilaterais - a começar pelos Estados Unidos, país que permanece enfático na não adesão do Protocolo de Kyoto, apesar de pesquisas de opinião pública apontarem que 70% dos americanos desaprovam a decisão.
Ao mesmo tempo em que se recusa a adotar as medidas sugeridas pelo protocolo, para não prejudicar a economia, o presidente e mercenário George W. Bush é especialista na imposição de entraves burocráticos aos países que investem no enriquecimento de Urânio, como fez ao enviar inspetores da ONU para vistoriar atividades nucleares no Brasil, notadamente de objetivos pacíficos – geração de energia. Obviamente, o que move Bush é a certeza da posse de uma arma de paz que o Brasil e todos os países do mundo teriam nas mãos caso construíssem suas próprias bombas atômicas. Com um equilíbrio de forças semelhante ao da Guerra Fria, o pobre e sanguinário Bush morreria de sede de guerra.
O cientista independente James Lovelock, autor da Hipótese Gaia, aponta a energia nuclear como única fonte incapaz de causar o aquecimento global. Lovelock afirma que a oposição à energia nuclear está baseada em um medo irracional, alimentado pela ficção de estilo hollywoodiano, pelo lobby verde e pela mídia. Ele justifica sua tese comparando os riscos diminutos de câncer por compostos químicos da radiação com o perigo real de câncer decorrente da poluição e da radiação solar, bem como as mortes por superaquecimento que fez cerca de 20 mil vítimas no verão europeu de 2004.
Em contrapartida, o físico José Goldemberg contesta as idéias de Lovelock. Para ele, usinas nucleares só servem para produzir eletricidade e, visto que 2/3 da energia consumida no mundo são obtidos por meio da queima de combustíveis fósseis, a energia nuclear não é a solução para o aquecimento global, resolvendo apenas parte do problema. Já o mestre em engenharia nuclear Joaquim Francisco de Carvalho se posiciona a favor da idéia, ainda que o ínfimo risco de acidentes não deva ser negligenciado. A opção mais sensata, segundo Joaquim, seria investir no aperfeiçoamento da tecnologia. Nesse caso, é indispensável que os países estejam livres de “lobistas teleguiados do exterior”.
São muitas as opiniões, dúvidas, pesquisas obscuras e questionáveis. Entretanto, propostas ecologicamente corretas devem partir de uma perspectiva abrangente, que incorpore a dimensão política e aspectos socioeconômicos e culturais no enfrentamento dos problemas ambientais para o desenvolvimento da civilização. Se a sustentabilidade pode ser definida como “uma forma de desenvolvimento econômico que emprega os recursos naturais e o meio ambiente, não apenas para o benefício do presente, mas também das gerações futuras” (SJÖSTROM,1996), todos esses fatores fazem da gestão ambiental uma questão altamente complexa que exige não apenas respostas técnicas.
Silvia Ferreira | comentários(3)
09/12/2006 13:01 Só os idiotas são felizes - parte II 
Muitas coisas para fazer, muita preguiça para não fazer. Vontade de tocar um violão, mas ele quebrou. Vontade de tocar bateria, mas eu não sei. Vamos cantar então, é a única coisa que eu sei fazer e a única coisa que ninguém pode me tirar, nem me mandando calar a boca quando eu começo a encher o saco, porque eu só paro mesmo quando eu quero!
Tudo bem, mas são duas horas da manhã. Acha que eu estou ligando? Meu palco dos deuses está lá, guardado. E nessa correria toda, o único cômodo limpo da casa me espera de portas abertas: E agora, Silvia Ferreira Monte! – anuncia o boxe do banheiro. E daí que eu já tomei banho três vezes hoje? Tomo de novo, ué!
“Pousa-se toda Maria, no varal das 22 fadas nuas lourinhas... foste besouro Maria, e a aba do Pierrot descosturou na bainha...”
Estou num acústico MTV. É sério gente, é o maior tesão cantar com essa estrutura toda. Não, não, não é pelo sucesso. É pelo simples prazer de sentir a música perfeita com a banda perfeita tocando pra você. Só pra você. E você, cantando só pra ela. Tem horas que o público não interessa mesmo, me desculpe. Não estou nem aí para as suas palmas.
Agora eu estou tentando ser a Janis Joplin, mas não tá rolando. A música está na garganta, acho que a Janis fica tão brava de eu estragar a música dela que atrapalha toda a ressonância da minha caixa craniana. Será que é a falta de exercício de cantora rebelde? Vamos lá, vamos usar os aprendizados das fonoaudiólogas: projeção vocal, M mastigado. Limpeza da laringe, TRA com a língua. AAAAAA!!! Beleza, está mais bonito agora. Vamos de novo!
Então, não funcionou. Tem coisas que não é pro nosso bico mesmo. Parece um dueto. Eu canto uma parte, não agüento fazer a segunda e a Janis completa. Dou um gritão “Break it”! E ela continua “little piece of my heart now baby!”, e a gente está num palco, e eu sou a fã histérica que subiu pedindo pra cantar. E ela, locona, deixou. Desceu do palco, morreu de overdose de heroína aos 27 anos. Custava continuar cantando pra gente ouvir?
Cansei de ser vocalista. Quero ir pra aquele microfone lá de trás do palco do Rock in Rio. É, aquela fileirinha de cantores back vocais lá no fundo. Genteeee, deixa eu contar uma coisa: tem hora que é muito mais legal ser back vocal. E um aleatório lá anuncia: Red Hot Chilli Pepers! E eu lá, posicionada, de preto, cantando no meu cantinho e sendo feliz.
Cantamos Californication. Animal. Mas é o seguinte, não tá mais dando certo ficar no boxe. Já estou no meu sexto banho, e a bateria não pode molhar, senão estraga.
Saio fora, olho no espelho. Começa a tocar Otherside. E eu começo a tocar junto. Tá bom, eu não sei tocar bateria, mas não morro sem aprender. Serei uma vovó radical e vou ensinar os meus netinhos. Continuo tocando, tá rolando super. Não errei nem uma vez até agora. E colocaram um microfone perto de mim pra eu continuar fazendo backing.
Bom, esse espelho aceso está tirando todo o glamour do meu mundo fantástico. Então eu apago a luz. Eu, a música, a bateria e o microfone, estamos lá, sós, nos amando, felizes! Ninguém nos perturbe, por favor.
Scar Tissue é a próxima. Quer saber? Cansei de cantar. Animei geral. Estou dançando agora. Lembrando os tempos áureos em que ainda não tinha peitos e dançava qualquer coisa até me acabar. Estou fazendo umas coreografias muito legais. Mas isso sozinha não tem tanta graça. Eu queria achar um amigo tão bossal e idiota quanto eu para libertar todas as fantasias que cultivamos até hoje. Tá tudo tão sério, tão cansativo, e tão sem perspectivas de idiotice... que eu desligo o rádio. A Sara está escutando Garotos, do Leoni. Bonitinha a música, mas depressiva. Afinal, estamos em casa sozinhas em plena sexta-feira chuvosa, não voltaremos para nossas cidades tão cedo, temos contas a pagar, trabalhos pra entregar e a realidade pra encarar.
Post dedicado ao grande amigo, entusiasta e idiota, Gabriel!
Silvia Ferreira | comentários(9)
28/11/2006 02:28 DESMASCARANDO A MIM MESMA - OUTRA PARTE
Eis aqui uma farsa, uma demagogia ambulante exercendo a necessidade de se desmascarar para tornar a vida mais leve.
Me sinto como Pedro Álvares Cabral há 500 anos: Redescobrindo a cada dia aquilo que já estava descoberto desde que nasci. Mas como diz sabiamente a grande amiga Fernanda Miguel, eu precisava aprender isso sozinha, e não adiantava ninguém tentar me ensinar.
Por isso, há muito não exercitava a escrita reflexiva, embora o pensamento estivesse a todo vapor. Tenho pensado sobre a minha vida, a vida das pessoas próximas, as vidas que vivi e as que não vivi e as interações psicanalíticas que me infernizam, de tão complexas. Todo o meu excesso e a minha carência de equilíbrio estão em jogo neste momento, e eu gostaria, sinceramente, que mais gente se interessasse por isso.
Eu começo a reorganizar minhas idéias aos poucos, mas ainda revoltada por minha existência estar sempre atrelada a uma condição de conformidade. Em todos os sentidos. A conformidade com os complexos existenciais, com as várias incapacidades que me enfraquecem, com as várias pessoas que eu gostaria que me amassem mais, com a auto-suficiência dos meus fraternos amores solitários. E esse tipo de amor fraterno que preciso, associo à disponibilidade de me ouvir nos meus momentos ruins, de me fazer esquecer por alguns momentos que eu não preciso tentar ser uma super-heroína pacificadora o tempo todo, e de me lembrar que eu posso me entregar às minhas fraquezas sem prejuízo dos que estão ao meu redor. PORQUE EU PRECISO DISSO.
RODA VIVA é também uma ditadura da dúvida, da estabilidade negativa, das falsas figuras que às vezes precisamos representar, da eterna frustração de não ser aquilo que gostaríamos de ser...
Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá
A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá
O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá...
(Roda Viva – Chico Buarque)
E a cada música ouvida, uma nova moldura para meu silêncio. E a cada música cantada, um renovador repouso para minha alma. E é nessas horas que não sinto frio, calor, fome, sede, raiva, tristeza ou amor. Apenas sinto a música sair de dentro de mim. O único defeito da música? Ela ecoa, mas não volta trazendo respostas; faz o favor de levar minhas dúvidas para devolvê-las assim que volto ao mundo real.
Responder perguntas é fácil. Difícil é ensinar a conviver com as dúvidas, forjar a vida a partir das incertezas, das inconclusões e reticências, permitindo que o mistério sobreviva às constantes invasões da racionalidade, no horizonte de tantas realidades que não são desdobráveis, possíveis de serem dissecadas.
Viver pra responder cansa. Há muito ando lutando para abandonar esse espírito de onipotência que tomou conta de nós. Sentimo-nos na obrigação de dar respostas para tudo. Não sabemos dizer que não sabemos, mas insistimos em falar de coisas que ainda nem acreditamos, só para não termos que enfrentar o desconcerto do silêncio. Falamos porque não suportamos a ausência de respostas.
(...)Respostas não caem do céu, mas são geradas no processo histórico que o ser humano realiza. Viver é maturar, é amadurecer, é superar horizontes, acolher novas possibilidades e descobrir respostas onde não imaginávamos encontrar.
Conviver com dúvidas requer maturidade, e isso não é aprendizado que se dá da noite para o dia. A dúvida de hoje pode ser a certeza de amanhã. (Pe. Fábio de Melo)
Eu sei que as respostas para as dúvidas demoram a chegar... e se por um instante eu imaginasse que elas não viriam jamais, cantaria até morrer. E sem dúvida alguma, morreria feliz.
Por favor, olhe dentro de mim e preencha o espaço que está destinado a você no meu coração.
Silvia Ferreira | comentários(8)
08/11/2006 15:53 INCOERÊNCIAS EM EXCESSO, PRODUÇÃO EM DECLÍNIO
Enquanto não"coerentizar" minhas incoerências, produtos de um abominável estado de inércia reflexiva que já dura várias semanas, não escrevo nada aqui.
O processo de reestruturação já começou, mas o caso ainda é grave; exemplo melhor, este tópico, que contraria princípios adquiridos com o grande mestre Marcelo Bulhões: "Não desampare seu leitor".
...
Silvia Ferreira | comentários(2)
29/09/2006 18:19 A ESPERANÇA VENCEU O MEDO E MORREU DE COMA ALCOÓLICO 
De nada adiantará a Lei Seca. De acordo com últimas pesquisas, o brasileiro se encontra em estado permanente de embriaguez.
República Velha. As oligarquias cafeeiras dominavam o cenário político. A política do café-com-leite aprofundava a desigualdade social que já assombrava grande parte da população brasileira. O último presidente a representar o país com esse cenário desolador, Washington Luiz, tentou eleger um sucessor seguro para as classes dominantes: Julio Prestes. O uso de métodos fraudulentos, que haviam funcionado em todas as eleições até então, daquela vez não vingaram. Depois da luta armada e muito sangue derramado, Washington Luiz foi deposto e Getúlio Vargas foi aclamado pelo povo como símbolo da esperança que os novos tempos anunciavam. Lindo de se ver.
O que Vargas conseguiu ocultar por meio da propaganda e da ditadura, a história tratou de revelar: o tal símbolo da esperança era, na verdade, um ego sensível, oportunista, capaz de atitudes detestáveis para se manter no poder, usufruir de seus benefícios e ainda ser idolatrado pelo povo.
Ora, qualquer semelhança com o nosso atual presidente da república não é mera coincidência! No entanto, Lula, que costuma se comparar com freqüência ao tal “pai dos pobres”, conseguiu a façanha de mostrar sua verdadeira face antes mesmo de chegarmos a uma perspectiva histórica segura para obter conclusões.
Lula vem de uma estrutura sindicalista que se diz subversiva às ordens patronais. Contudo, é uma grande bobagem acreditar que os sindicatos, hoje, lutam sinceramente pelos interesses do trabalhador. A maioria dos militantes pode até estar bem intencionada, mas é péssima estrategista. Os que se destacam em perspicácia, chegam à diretoria dos sindicatos e, diante de tantas regalias e da estabilidade no emprego, se utilizam dos métodos mais provincianos para se manter onde estão: surras, ameaças de morte e demissão (sim, não se iludam, eles são cordeirinhos dos patrões), calúnias, difamações e eleições fraudulentas. Ironias à parte, esse cenário é fruto do modelo trabalhista tão elogiado durante a Era Vargas.
Mesmo sabendo que toda conclusão generalista é perigosa, me arrisco em dizer que Lula indubitavelmente chegou à presidência por ser o mais inteligente entre os proprietários desse discurso hipócrita de luta pela causa operária. Portanto, me recuso a votar em um suposto desavisado crônico para escolher “o menos pior”. Este processo eleitoral fez com que eu me sentisse uma cidadã brasileira derrotada, ultrajada, desrespeitada, traída. Ainda que esta atitude não mude nada, meu voto é NULO. Afinal, com ou sem Lula, tudo vai continuar ruim como está, se não caminhar definitivamente para o caos. O povo brasileiro se embriagou com uma falsa esperança de péssima qualidade e vai morrer de coma alcoólico.
Silvia Ferreira | comentários(6)
20/09/2006 15:11 IMPOSSÍVEL SER INDIFERENTE...
"Em um longo prazo, o consumo de maconha pode reduzir a capacidade de aprendizado e memorização além de passar a apresentar uma falta de motivação para desempenhar as tarefas mais simples do cotidiano."
"Com o uso contínuo, alguns órgãos como o pulmão passam a ser afetados mais seriamente pela maconha. Devido à contínua exposição com a fumaça tóxica da droga, o sistema respiratório do usuário começa a apresentar problemas como bronquite e perda da capacidade respiratória. Além disso, por absorver uma quantidade considerável de alcatrão, presente na fumaça de maconha, os usuários da droga estão mais sujeitos a desenvolver o câncer de pulmão."
"A maconha talvez não encurte a vida de uma pessoa como faz o cigarro, mas certamente compromete a qualidade dos anos vividos."
E SÃO SÓ QUATRO ANOS!
... PORQUE DEMAGOGIA É ACHAR NATURAL QUE O GRANDE POTENCIAL DE PESSOAS QUERIDAS SE DISSOLVA NO AR JUNTO COM UMA PORCARIA DE ERVA.
... PORQUE TÁ MUITO DIFÍCIL ASSISTIR A TUDO ISSO E CONTINUAR FELIZ.
DEMAGOGIA MAIOR É ACHAR QUE ESSE DISCURSO TÃO BEM FUNDAMENTADO NA DESGRAÇA É MORALISTA OU SIMPLESMENTE CONSERVADOR.
Silvia Ferreira | comentários(3)
31/08/2006 19:07 O Brasil foi pro espaço 
Em ano eleitoral, o que temos de mais concreto para questionar é a legitimidade de Plutão.
Rebaixaram Plutão e a comunidade científica está em polvorosa. No entanto, o que considero a manchete mais bombástica da Folha de São Paulo não mereceu nem mesmo uma pequena referência na primeira página: “Caso Plutão só terá desfecho em 2009”, está escrito no caderno de ciência da quinta-feira, 31 de agosto.
A decisão de cassar o planeta só será votada daqui a três anos, na próxima reunião da União Astronômica Internacional, no Rio de Janeiro. O Garotinho ficou triste. Além de não poder se candidatar à presidência pelo PMDB por causa da verticalização, a frase mágica de infância que lhe permitia gravar horizontalmente o nome dos planetas deverá ser reformulada. E sem Plutão na sentença “Meu Velho Tio Mandou Junior Saborear Umas Nove Pizzas”, o que fazer com as pizzas? Eu respondo, menino Garotinho: É só mandar para o Congresso Nacional. Esse grande símbolo da democracia brasileira tem centenas de especialistas no assunto.
Mas o que me deixa triste mesmo é a demora pra resolver o caso. Eu gosto de Plutão e acho que todos nós deveríamos começar uma campanha para elegê-lo “o queridinho do sistema solar”. A tática é inspirada na política brasileira. Afinal, foi só começar a disputa eleitoral e, ao contrário do tal caso Plutão, o caso Mensalão teve desfecho rápido e não durou nem um ano. Infelizmente, no Brasil é mais fácil cassar um planeta do que um deputado corrupto candidato à reeleição.
O povo se decepcionou com o presidente e mesmo assim as pesquisas o indicam como candidato vitorioso. Já os astrólogos que se decepcionaram com os astrônomos continuam mantendo Plutão como ascendente nos mapas astrais escorpianos. E falando nisso... pasmem! O colunista da Folha de São Paulo Sérgio Costa descobriu essa semana que Lula e Alckmin são do signo de Escorpião. E agora?
Só poderemos chegar a uma conclusão nas eleições de 2010, depois que os cientistas resolverem qual é o verdadeiro lugar de Plutão no espaço. Mas, se essa coisa de astrologia for verdade mesmo, qualquer que seja o escorpiano eleito deste ano, Plutão vai cair de vez.
PS: Desculpem os leitores assíduos pelas minhas ausências prolongadas, mas é que sem computador em casa minha produção cai vertiginosamente... Obrigada pela visita!!!
Silvia Ferreira | comentários(5)
06/08/2006 02:14 Provocações 
Por que o jornalismo é cego e burocrático como a justiça brasileira?
Três visões na fila do INSS:
JOÃO, um velhinho de bengala, estágio avançado do mal de Parkinson, recebe o resultado de seu pedido de aposentadoria por invalidez: NEGADO.
Nas entrelinhas: vai trabalhar, vagabundo, essa tremedeira é frescura.
MARIA, uma senhora com tendinite, doença adquirida após anos de trabalho repetitivo em uma multinacional, não consegue mover os dedos, nem mesmo para assinar o laudo médico FALSO que diz: VOCÊ TEM É REUMATISMO, VAI SER MANDADA EMBORA.
Nas entrelinhas: a gente te usou, agora você é lixo e não serve mais pra nada, caia fora.
Mero detalhe: seu último salário foi trocado por remédios, ela só recebeu R$24,00 neste mês, sustenta uma filha pequena sozinha e não agüenta mais essa vida, está com depressão e quer se matar.
JOSÉ, outro velhinho, perdeu os cinco dedos da mão na colheita de cana e também recebe o resultado de seu pedido de aposentadoria por invalidez: NEGADO.
Nas entrelinhas: só volte aqui quando tiver perdido os cinco dedos da outra mão.
Essas pessoas têm direitos, mas não os conhecem. Por isso, são humilhadas, pisoteadas, enganadas, zombadas e provocadas. Não sabem se defender.
Aí a gente vai pra faculdade de jornalismo e pensa que pode ajudar João, Maria e José. Mas precisa de provas. Que provas?
Outro laudo que outro médico nunca vai emitir e uma denúncia formal que o Conselho de Medicina nunca vai aceitar. Esses médicos são tão abjetos que se unem como poucos para encobrir as patifarias uns dos outros.
E assim o jornalismo caminha como a justiça. Alguns crimes são óbvios, mas nada que um bom advogado tão abjeto quanto o médico não possa fantasiar.
Aí eu publico mesmo assim e sou processada.
- E ainda se diz jornalista, publica uma coisa grave como essa sem provas!
EU NÃO PRECISO DE MAIS PROVAS! Tenho a bengala do seu João, a assinatura borrada da dona Maria e os cinco dedos do seu José.
***************************************************
Publicação dessa semana no site VEJO SÃO JOSÉ
*Um picadeiro chamado Brasil - A verdadeira face do Cirque du Soleil
Silvia Ferreira | comentários(11)
02/08/2006 17:19 Bodas de Madeira!  Sem demagogias! Hoje eu vou falar de amor verdadeiro...
- Amor... atualizei o blog!
- Anh?
- Atualizei o blog de novo, vem cá ler!
- Ai meu Deus... você vai me fazer ler tudo isso de novo?
- Não reclama, senta aí e lê!
Em poucos segundos, a barra de rolagem atinge o patamar mais baixo. Costumam chamar isso de leitura dinâmica!
- Pronto!
- Amor, lê direito!
- Já li, Vinha. Tá ótimo!
- Você entendeu?
- Claro que entendi!
- O que está escrito aí então?
- Ah, é isso aí mesmo. Tá lindo! Me avisa quando entrar em destaque no Comunique-se de novo, que eu vou mostrar pro pessoal da empresa.
- Amor! Como você quer mostrar pra alguém uma coisa que você não entendeu?
- Ah... é pra eles não entenderem também!
Risos, muito risos! Vou dizer o quê se ele é um dos melhores e mais competentes programadores que eu conheço? Vou dizer o quê se eu também finjo que entendo a lógica do Visual Basic, Java, C++, Sap, Abap e outras linguagens gregas?
Ele é de exatas, eu sou de humanas. Mas a gente discute política também. Aliás, a gente só briga por causa disso. Eu, como toda jornalista, acho que sei de tudo, entendo melhor os problemas do mundo e posso interferir em todos. Afinal, tenho o quarto poder nas mãos. Já ele, como todo cientista da computação, quantifica e organiza os dados acreditando possuir respostas para todos os defeitos da máquina chamada mundo.
Ele é responsável, eu sou doida de pedra. Tudo é mais fácil de resolver na minha visão simplista de quem nunca precisou bater ponto na vida.
- Vida chata essa de trabalhar de segunda a sexta, fazer hora extra e ter que dormir cedo pra agüentar o tranco, hein!
- É... vida chata essa sem dinheiro pra se divertir, hein!
Ele é pontual, eu sempre me atraso.
- Quer sair com uma mulher bonita, cheirosa e gostosa do seu lado? Então espera!
Mas também há pontos de convergência:
- Amor... o circo do Beto Carreiro chegou à cidade!
E lá estamos nós, na primeira fila, rindo feito tontos até do vendedor de pipocas!
- Amorzinho... casa comigo?
- Caso!
- Vamos pra nossa casinha?
- Mas nós ainda não temos casinha!
- Amorzinho, vê se volta logo...
- Canta aquela música que você fez pra mim quando a gente começou a namorar?
- Mas amor... isso já faz 5 anos... eu não tenho mais aqueles agudos!
Isso aí, gente... 3 de agosto de 2006, 5 anos, bodas de madeira! Tem gente que me pergunta como eu agüento, e hoje eu só tenho uma resposta: os dispostos se atraem. Por isso, somos os opostos mais alinhados do mundo e não há nada mais gratificante do que um casal no qual um precisa do outro para se completar, amar e ser feliz!
Resta-me traduzir este discurso nas 4 palavras mais sinceras de todo o meu vocabulário:
Du, eu te amo!
Silvia Ferreira | comentários(12)
27/07/2006 02:52 MERCADO LIVRE 
O capeta veio participar de um leilão no Brasil e fez a festa! Comprou toda a nossa esperança e voltou pro inferno rindo à toa!
Partido dos Trabalhadores:

Luiz Inácio Lula da Silva:

Frente de Esquerda PSOL-PSTU-PCB:

Sindicato dos Químicos:

Sindicato dos Metalúrgicos:

Sindicato dos Condutores:

Sindiaeroespacial:

Conlutas:

Central Única dos Trabalhadores (CUT):

Vicentinho:

Heloísa Helena:

Juízes da comarca de São José dos Campos:

Seleção Brasileira de Futebol:

Grande Imprensa:

Povo Brasileiro:

Democracia:

Secretaria da Administração Penitenciária (SP):

Há vendidos por toda parte. Querem saber por que eu não posso dizer o motivo, mesmo tendo várias provas?
Por que eu também fui...

Minha segurança foi...

Minha liberdade de expressão foi...

... Para que todo mundo continuasse se vendendo.
E DEPOIS DIZEM QUE A ESCRAVIDÃO ACABOU!
***************************************************
Publicações dessa semana no site VEJO SÃO JOSÉ
*Heloísa Helena visita São José
*Cota única
Silvia Ferreira | comentários(5)
/BlogInicioPost?>
|
|